Treine o que você precisa

No post de hoje, eu vou falar sobre a priorização dos pontos fracos. Isso não é um princípio do treinamento ou método, entretanto, deve ser o maior foco em mente ao escrever ou pensar o treinamento de qualquer pessoa em qualquer momento. Até para outras áreas da vida, que não a academia ou esportes, isso se faz importante e, após essa leitura, você entenderá a sua importância e felizmente terá a humildade de fazer uma análise honesta.

Quando se pensa no movimento humano e sua performance, é claro que existe a carga que conseguimos mover com uma técnica adequada (chamo de técnica boa aquela que nos permite mover o máximo de carga, pela menor amplitude possível, sem colocar em risco nenhuma articulação) e a carga que não conseguimos.

  • Agora, o que separa os dois?
  • O que faz uma carga subir e outra não, no nosso corpo?

Para pensar nisso, precisamos pensar no próprio movimento: movimentos complexos utilizam de várias articulações, como o supino, levantamento terra e agachamento, também envolvem vários músculos que tem tamanhos diferentes, pontos de origem e inserção diferentes e composição fisiológica diferente. Dessa forma, é evidente que ao medir o quanto de força cada um dos músculos consegue realizar de maneira isolada, teremos números diferentes. Infelizmente, a carga total não é a soma dos músculos individuais, afinal de contas, eles raramente alongam e se contraem maximamente durante o exercício. Ainda sim, temos que cada músculo tem uma contribuição específica gerando uma força específica em partes específicas da amplitude de movimento.

O que acontece se o nosso tríceps consegue mover 100kg e o nosso peito apenas 80kg durante a amplitude de movimento do supino? Provavelmente, teremos um supino de 80kg (apenas um exemplo, ignorando a questão da inércia). Nesse cenário, apenas ao fortalecer o peito, ganhamos 20kg no exercício! Esse é o objetivo.

A corrente só é tão forte quanto o elo mais fraco.

Louie Simmons

Essa priorização dita que devemos estar atentos a nossos exercícios principais semanalmente para perceber onde estamos fracos e atacar aquela região e grupo muscular com 100% do foco: seja

  • com exercícios de isolamento e técnicas de intensificação
  • com exercícios de amplitude reduzida
  • com exercícios de explosão
  • com exercícios isométricos

Tudo isso só ocorre porque nosso movimento não é completamente balanceado, algumas partes do corpo trabalham menos e outras mais. Se as partes que trabalham menos não recebem atenção adequada SEMPRE trabalharão menos e serão SEMPRE mais fracas. Ao fortalecermos essas partes [as fracas] e realizarmos os exercícios novamente, as partes [fortes] que já trabalham, naturalmente, mais ficarão fortes por si só.

O nosso corpo gosta muito de se adaptar, por isso, frequentemente é necessário mudar o exercício, resistência, tempo, frequência, densidade, volume e intensidade ao trabalhar com esses músculos, pois, se há uma tendência de não utilizar esses grupos musculares, o corpo vai tentar parar de usar-los até mesmo quando estamos fazendo exercícios para eles: daí vem

  • o exercício roubado
  • a preguiça
  • a carga mais leve, pois “a pesada eu já consigo”

Lembre-se que quando eu falo “nosso corpo” estou considerando nosso cérebro e todas as jogadas que ele utiliza na nossa consciência e que nós achamos que é nossa ideia.

Se você treinar o exercício errado e fortalecer o grupo muscular que você já tem dominante, pode apresentar ganhos, mas serão limitados e sua chance de lesão aumenta exponencialmente.

Publicado por GabrielMartinsFitness

Criador do canal no youtube GabrielMartinsfitness e do site Pentagon of Strength.

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