Há muitos anos, eu postei um vídeo recomendando a NÃO utilização de elásticos na jornada para a primeira barra fixa. Acabou se tornando um dos meus mais controversos! Várias pessoas conseguiram uma ou outra repetição usando de elásticos, mas, acontece que, ainda sim, não é o melhor caminho.
Algumas pessoas não gostaram dessa análise….
O que ficou faltando foi justamente a alternativa: se não devo usar elásticos, o que fazer? É justamente isso que vamos falar sobre hoje. Estou trazendo um programa de treinamento de 4 fases para iniciantes completos conseguirem dominar a barra fixa. Como? Veja no vídeo abaixo:
Um dos assuntos mais populares do meu canal é o treinamento de pescoço. Parece engraçado, curioso, mas é justamente aquilo que diferencia quem TREINA FORÇA e quem vai na academia de vez em quando. Se você quer, de fato, parecer que você treina, precisa de desenvolver o pescoço.
Indo além, se você pratica esportes, principalmente aqueles que envolvem contato, você PRECISA de treinar o seu pescoço. Existe ampla evidência científica e a prática é clara, um pescoço mais forte, previne lesões.
Dito tudo isso, como começar? Você pode ver no vídeo abaixo:
Uma das coisas mais importantes do Método são as variações. Entretanto, como conseguir garantir um bom progresso sendo que você está constantemente mudando o que está sendo analisado?
Mantenha um controle de tudo que faz.
Isso é o mais importante, até para quem não treina dessa forma. Se você quer ficar melhor em alguma coisa, qualquer que seja, até mesmo fora da academia, precisa de ter formas claras e objetivas de medir onde você está agora. Só assim você pode ter um plano de onde quer chegar. Justamente, por isso, ter um registro de qual exercício você fez, como, quantas séries, quantas repetições, qual o tempo, se teve pausa, qual variação é essencial.
Algumas pessoas apenas registram o seu exercício principal enquanto se comprometem a dar o melhor de si em todos os acessórios escolhidos. Isso pode até funcionar, mas você precisa de garantir que até a sua extensão de tríceps ou rosca direta, por exemplo, será o máximo que você consegue fazer naquele dia, naquelas repetições, até a falha máxima. Isso é um grande compromisso e muito difícil de cumprir todo treino, por isso optei por registrar tudo. Porém, se você tem parceiros de treino que vão estar sempre te vigiando – e você a eles, pode funcionar.
Tenha um caderno ou use um aplicativo e anote tudo que você fez no treino e como, isso te ajudará muito daqui a alguns meses ou anos.
Escolha um exercício que leve progresso à todos os outros.
Esse ponto pode não ter ficado claro nos posts até então, por isso é essencial trazê-lo novamente. Se você tem as costas superior proporcionalmente fraca e precisa de melhorá-la, pode optar por remadas, por exemplo, mas quais? Digamos que faça a seguinte lista:
remada curvada
remuda curvada pegada snatch
remada yates
remada pendular
remada T-bar (cavalinho)
Todos esses exercícios trabalham costas superior com pequenas diferenças. Para um progresso ótimo, escolha um por treino e faça o máximo possível naquele dia com as repetições desejadas. Se quer um pouco mais pesado pode ser 3×8, se quer bastante volume pode ser 5×10, não importa tanto assim, mas chegue próximo ou até a falha. Ao passar por todos os exercícios e voltar para o primeiro você estará, de forma geral, mais forte, por isso, conseguirá, muito provavelmente, realizar mais repetições ou mais carga. Esse é o princípio da força geral.
Existe um ditado que diz que ser forte é ser forte. Ficar bom em uma remada muito provavelmente fará as outras variações um pouco mais fáceis. De pouco em pouco, semana a semana, você caminhará com todas elas para frente ao mesmo tempo.
Para que isso funcione é essencial que a escolha de exercícios seja boa. Após esse ciclo de remadas você pode tentar uma barra fixa e vários cenários podem acontecer: você pode ficar melhor, pois suas costas eram tão fracas que limitavam a sua barra fixa, mesmo com a pegada e o braço forte, ou você pode até ficar pior, pois já tinha as costas forte o suficiente e embora tenha ficado mais forte, perdeu a especificidade do treinamento daquele exercício. Tudo no treinamento é específico ao indivíduo, percebeu como o resultado do período de especialização em remadas dependeu da situação do indivíduo?
Treine o que você precisa.
Ficar forte no exercício errado é perda de tempo. Esse ponto é intimamente ligado ao ponto anterior, por isso não preciso de delongar. Se você escolher o exercício errado, não terá progresso ao voltar para o original pelo qual você mede progresso. Se tudo que você treina é tríceps, mas o seu peito é o ponto fraco do seu supino, você não terá progresso ao testar o exercício novamente. Analise sempre o seu corpo e o seu movimento e procure as respostas no único lugar o qual elas podem estar: você mesmo.
Você não precisa mudar tudo toda semana.
Mudar todos os exercícios que você faz ao entrar na academia semanalmente é sempre uma opção, mas não é 100% necessária. Você também pode mudar o modo:
séries
repetições
tipo de resistência (peso, elástica, correntes, polia)
tempo
pausa
pegada ou posição das pernas
qualquer outra variável que faz dois exercícios diferentes porém “quase” iguais
Inclusive, ao introduzir algo que você nunca fez é até mais efetivo manter por um determinado tempo, pois a hipertrofia só acontece após as adaptações do sistema nervoso. Se no treino de hoje você tentou algo novo e sentiu trabalhar extremamente bem e é exatamente aquilo que você precisa, mantenha por até 3 semanas ou apenas até você não sentir mais o brilho daquele exercício. Depois, experimente coisas novas ou volte para um exercício velho. Apenas não esqueça de voltar para aquele ótimo exercício em algum momento no futuro, pode ter grandes surpresas novamente.
Agora você já leu o que precisava para começar a entender a fundo o treinamento concorrente através do método conjugado, então nada mais justo do que dar uma olhada em uma semana de treinamento assim, que pode ser vista como um exemplo prático da aplicação dessa forma de treinar. Após a explicação do exercício, adicionarei uma possível razão da escolha daquele exercício, o objetivo é colocar o leito para refletir que a escolha de qualquer exercício deve ter razões claras. Vamos direto ao que importa:
Domingo: descanso
Segunda: max effort (ME) membros inferiores (MMII)
Agachamento caixa 32cm (abaixo de paralelo) até 1RM
Estância larga (pés afastados)
Pausa na caixa
Barra alta
Escolhido por ser a posição de barra mais fraca, estância mais devido à fraqueza do quadril e posterior de perna. Sem resistência alternada, pois procura-se ter como parte mais fácil do exercício a saída da caixa, focando mais em ensinar o quadril a trabalhar.
Agachamento pausado 3×3-5
Pausa na porção mais baixa do exercício
Barra baixa
Escolhido por colocar o corpo mais tempo na porção mais baixa do agachamento para que reforce uma boa postura enquanto abre as pernas, forçando o quadril a manter posição mesmo com o tronco mais inclinado pelo posicionamento da barra.
Flexão de perna na máquina deitado 5×8
8 repetições difíceis
Flexione o glúteo para maior ativação do posterior de coxa
Escolhido pelo fato de posterior ser uma fraqueza e esse exercício não ter sido realizado ultimamente.
Cadeira abdutora 4×15
Tentar manter boa postura, sem roubar
Fortalecer o quadril
Hip thrust 5×25
Deixado por último para que seja possível usar menos carga
Tempo 313. 3s para subir, pausa de 1s, 3s para descer
Hipertrofia de glúteo
Super set: hiperextensão reversa de banco com a perna aperta x abdominal na barra 4×15-25
Core é obrigatório!
Terça feira: descanso
Quarta feira: ME membros superiores (MMSS)
Supino pegada curta inclinado com elásticos até 1RM
Indicador no começo do knurling
Tensão elástica entre 40 e 50% da 1RM
Escolhido para focar os pontos fracos de ombro e tríceps, costas está em um bom ponto no momento
Supino inclinado com halteres 2×20
Para focar em ombro e tríceps
Mais pesado possível
Extensão de tríceps com barra reta no chão 8×8
Descanso de no máximo 30s
Pode usar steps para elevar do chão e aumentar a amplitude
Para focar tríceps em um ângulo diferente
Remada na máquina 5×25
Chegar próximo a falha e mudar a pegada na próxima série
Trabalhar costas em ângulos diferentes
Super set: Elevação lateral 3×15 x Elevação curvado 3×20
Trabalhar ombros para evitar lesões
Quinta feira: descanso
Sexta feira: dynamic effort (DE) MMII
Agachamento barra baixa caixa 36cm (paralelo) com elásticos 12×2
55% do 1RM da carga tradicional e 25% de tensão elástica
1 minuto no máximo de descanso
Para aumentar a taxa de desenvolvimento de força
Foco em manter boa postura
Levantamento terra sumô em déficit 5cm com elásticos 5×2
50% do 1RM de carga tradicional e 33% de tensão elástica
1 minuto no máximo de descanso
Para aumentar a taxa de desenvolvimento de força
Foco em abrir o quadril e iniciar de maneira perfeita
Flexão de perna em pé com caneleiras 5×15
Abdução de perna com elásticos no tornozelo 4×12
Hip thrust na polia 5×25
Reverse hyperextension 4×25
Abdominal em pé na polia 4×25
Sábado: DE MMSS
Supino reto com elásticos 9×3
50% do 1RM de carga tradicional e 33% de tensão elástica
Usar 3 pegadas: indicador no knurling, um dedão de distância do knurling e mindinho nos anéis, 3 séries de cada começando com a mais fraca
30s de descanso
Para aumentar a taxa de desenvolvimento de força
Supino sentado com halteres 2×20
Com encosto
Extensão de tríceps com halteres 5×15
Rolando o halter no ombro
Remada com barra 5×20
Super set: elevação lateral com elástico 3×20 x face pulls 3×30
Extensão de tríceps com elásticos 2×100
Repetições realizadas o mais rápido possível
Para os tendões e ligamentos
Condicionamento
Caminhada com sled 55m
Band pull aparts x30
Burpees com início deitado no chão virado para cima
Repetir 4x. Realizado nos dias de descanso.
Conclusão
As justificativas para os acessórios no segundo dia são as mesmas, então não há necessidade de repetí-las. Isso é um treinamento hipotético apenas para fim ilustrativo, eu não o sigo e não recomendo que ninguém o faça! Espero que tenha ajudado a visualizar um pouco como o processo vem a ser realizado, de fato.
Com o objetivo de terminar a série de posts aprofundando nos princípios que guiam o método conjugado, hoje eu vou falar de condicionamento ou também chamado de GPP.
O condicionamento, por conceito, nesse caso, diz respeito à capacidade de performar as diferentes manifestações de força e velocidade em tarefas diferentes daquelas praticadas no esporte específico. A capacidade de performar no seu esporte é o chamado Special Physical Preparedness (SPP). Ok, e na prática?
Condicionamento geral é você conseguir subir um lança de escadas carregando sacolas sem morrer, e;
Condicionamento específico é você conseguir fazer o número de agachamentos esperado daquele dia (sem morrer).
É um dos conceitos mais simples de se entender, por isso não há grandes necessidades de se delongar aqui, principalmente, pois, o nosso objetivo não é se tornar bom em tudo (não é Crossfit), é ter condições de fazer coisas diferentes. Vale a pena ressaltar uma coisa:
Se o seu objetivo é estar preparado para situações diferentes, você não pode se adaptar ao treino.
Por isso mude o treino de condicionamento frequentemente. 2 a 3 vezes o mesmo treino é o máximo para conseguir trabalhar bem sem se acostumar de mais.
Mas essa é a parte legal! Para condicionamento, tente sempre encontrar um exercício diferente, que você nunca fez, mas que de alguma forma possa te ajudar. Como? Treinando costas, abdômen, cadeia posterior, músculos que nunca são de mais, de maneira inusitada. O objetivo aqui não é ficar bom nisso, é fazer algo difícil, que dê trabalho e que você não tenha as adaptações ótimas para fazê-lo.
Estamos falando de:
Saltos;
Caminhadas;
Corridas;
Carregamentos;
Calistenia.
Movimentos no espaço com carga: peso tradicional, correntes ou tensão elástica. Escolha algo fácil, adicione carga e faça por tempo, na maior parte das vezes! 😛
Quer saber como EU faço?
Um exercício com SLED (resistência de atrito) que vá trabalhar uma musculatura que eu preciso. Ex: extensão sobre a cabeça, rotação externa de ombro, facepull. Altas repetições.
Um exercício com carga, mas de condicionamento com foco aeróbico. Ex: caminhada belt squat, caminhada com carga sobre a cabeça, caminhada farmer bi ou uni lateral. Por tempo.
Um exercício explosivo com ou sem carga. Ex: flexão batendo palma, salto unilateral com carga, salta de joelhos. 3 a 5 repetições apenas.
Um exemplo para dia de membros superiores:
Extensão de tríceps com sled +5kg @ 25 repetições
Caminhada com carga sobre a cabeça (passo um elástico no rack na altura da minha cabeça, entro em baixo e faço um desenvolvimento. Com os braços erguidos, movo as pernas como se caminhasse no lugar) @ 45s
Flexão com palma @ 5 repetições
Repetir 4 a 5 rounds.
Um exemplo para dia de membros inferiores:
Caminhada com passos largos no sled + 30kg @ 25 passos com cada perna
Caminhada no belt squat + 60kg @ 60s
Salto de uma perna para altura + 10kg @ 5 repetições
Repetir 4 rounds.
Existem diversas formas de fazer condicionamento, eu, pessoalmente, gosto de atividades explosivas e com sled, pois, embora não sejam específicas, ajudam e muito o corpo para esportes.
Faça coisas diferentes, copie treinos de outras pessoas ou invente, mas é importante não deixar de fazer o condicionamento, pois, prepara você melhor para qualquer tipo de treino e para a vida, além de ser uma forma de gastar energia e ganhar músculo! Só não faça sempre a mesma coisa…
E lembre-se, 2 a 4 vezes por semana, mas com muita atenção à recuperação.
No post de hoje, eu vou falar sobre a priorização dos pontos fracos. Isso não é um princípio do treinamento ou método, entretanto, deve ser o maior foco em mente ao escrever ou pensar o treinamento de qualquer pessoa em qualquer momento. Até para outras áreas da vida, que não a academia ou esportes, isso se faz importante e, após essa leitura, você entenderá a sua importância e felizmente terá a humildade de fazer uma análise honesta.
Quando se pensa no movimento humano e sua performance, é claro que existe a carga que conseguimos mover com uma técnica adequada (chamo de técnica boa aquela que nos permite mover o máximo de carga, pela menor amplitude possível, sem colocar em risco nenhuma articulação) e a carga que não conseguimos.
Agora, o que separa os dois?
O que faz uma carga subir e outra não, no nosso corpo?
Para pensar nisso, precisamos pensar no próprio movimento: movimentos complexos utilizam de várias articulações, como o supino, levantamento terra e agachamento, também envolvem vários músculos que tem tamanhos diferentes, pontos de origeme inserção diferentes e composição fisiológica diferente. Dessa forma, é evidente que ao medir o quanto de força cada um dos músculos consegue realizar de maneira isolada, teremos números diferentes. Infelizmente, a carga total não é a soma dos músculos individuais, afinal de contas, eles raramente alongam e se contraem maximamente durante o exercício. Ainda sim, temos que cada músculo tem uma contribuição específica gerando uma força específica em partes específicas da amplitude de movimento.
O que acontece se o nosso tríceps consegue mover 100kg e o nosso peito apenas 80kg durante a amplitude de movimento do supino? Provavelmente, teremos um supino de 80kg (apenas um exemplo, ignorando a questão da inércia). Nesse cenário, apenas ao fortalecer o peito, ganhamos 20kg no exercício! Esse é o objetivo.
A corrente só é tão forte quanto o elo mais fraco.
Louie Simmons
Essa priorização dita que devemos estar atentos a nossos exercícios principais semanalmente para perceber onde estamos fracos e atacar aquela região e grupo muscular com 100% do foco: seja
com exercícios de isolamento e técnicas de intensificação
com exercícios de amplitude reduzida
com exercícios de explosão
com exercícios isométricos
Tudo isso só ocorre porque nosso movimento não é completamente balanceado, algumas partes do corpo trabalham menos e outras mais. Se as partes que trabalham menos não recebem atenção adequada SEMPRE trabalharão menos e serão SEMPRE mais fracas. Ao fortalecermos essas partes [as fracas] e realizarmos os exercícios novamente, as partes [fortes] que já trabalham, naturalmente, mais ficarão fortes por si só.
O nosso corpo gosta muito de se adaptar, por isso, frequentemente é necessário mudar o exercício, resistência, tempo, frequência, densidade, volume e intensidade ao trabalhar com esses músculos, pois, se há uma tendência de não utilizar esses grupos musculares, o corpo vai tentar parar de usar-los até mesmo quando estamos fazendo exercícios para eles: daí vem
o exercício roubado
a preguiça
a carga mais leve, pois “a pesada eu já consigo”
Lembre-se que quando eu falo “nosso corpo” estou considerando nosso cérebro e todas as jogadas que ele utiliza na nossa consciência e que nós achamos que é nossa ideia.
Se você treinar o exercício errado e fortalecer o grupo muscular que você já tem dominante, pode apresentar ganhos, mas serão limitados e sua chance de lesão aumenta exponencialmente.
Se você tem acompanhado a sequência de posts sobre o treinamento de forma conjugada te garanto, até então veio a parte fácil. Máximo é só fazer até não aguentar, dinâmico é seguir as recomendações e saltar com a barra… Exagero, obviamente.
Mas, agora é a parte que faz ou quebra o seu treinamento. É a parte que ninguém leva em consideração, mas que compõe maior parte do treino. Como? O nosso sistema é composto de 80% acessórios e suplementares e 20% treinamento dos movimentos principais (máximo e dinâmico). Isso sobre volume.
O que?
O método das repetições é o nome dado ao tipo de esforço gerado ao realizar trabalho mecânico através de repetições em um exercício com o objetivo de ativar e desgastar mais e mais fibras musculares, para, consequentemente, gerar adaptações de tanto força quanto hipertrofia.
“Quando o método do esforço repetido é usado com o objetivo específico de treinar as unidades motoras mais altas na ordem de recrutamento o atleta precisa se exercitar com o peso com intenção legítima de atingir a exaustão.”
Vladmir M. Zatsiorsky
É a forma de treinar mais comum e mais utilizada, muitas pessoas apenas utilizam esse método (o que leva a treinamentos sub-otimizados, mas isso é conversa para outra hora…). Por isso, você já deve ter alguma ideia do que fazer, o que é bom, porque é extremamente difícil para eu, ou qualquer outro treinador do mundo, te dar parâmetros. Essa é a parte altamente experimental, é sua responsabilidade descobrir: quais exercícios, quantos, em qual ordem, quantas repetições, quantas séries, quanto descanso, quando variar e como.
Quando?
Eu gosto de chamar os exercícios que executam o método da repetição de duas formas: suplementares e acessórios. Muitas pessoas usam outros termos, mas esses são mais fáceis de eu mesmo entender.
Os suplementares são exercícios muito parecidos com aquilo que você quer aumentar, mas com pequenas variações que enfatizem aquilo que você precisa para melhorar naquele movimento:
Precisa de controle?
Força em baixo?
Força em cima?
Força no meio?
São exercícios cujo papel no treinamento é te deixar melhor no próprio exercício. Por isso, é interessante fazer algumas repetições, mas não muito para conseguir utilizar porcentagens altas da sua repetição máxima.
Já os acessórios, são exercícios muito diferentes e variados do seu exercício principal, cujo foco é atacar determinados grupos musculares separadamente, que, quando fracos, impedem o sujeito de manter boa forma, boa velocidade, bom controle, ou de exercer força o suficiente para terminar a repetição. Sendo assim, é mais adequado realizar mais repetições e séries, sempre considerando a composição das fibras musculares e fontes de energia do músculo.
Você pode treinar séries de 6 no tríceps bem como séries de 25, mas qualquer coisa abaixo de 12 na panturrilha é perda de tempo… A ordem seria: esforço principal depois método das repetições, logo, máximo ou dinâmico, depois suplementares, depois acessórios.
Aonde?
Esses tipos de exercícios podem ser realizados com barras e anilhas, dessa forma, são até mais específicos, mas, caso seu objetivo seja ser menos específico para conseguir atacar melhor determinados grupos musculares, outras formas de resistência também são válidas:
calistenia,
elásticos,
correntes,
polias,
atrito (sleds) e
hidrodinâmica (água).
Como?
Exercício suplementares podem variar de singles até diversas séries, mas, para funcionar melhor, é interessante manter altas intensidades. Os meus parâmetros favoritos: 3×1, 2×2, 3×2, 3×3, 4×3, 3×4, 4×4, 5×3, 3×5, dentre outros.
Para acessórios, tudo é válido. Considere a composição do músculo, sua capacidade de recuperação e quão importante ele é para você naquele momento e treine-o até próximo ou até a falha em si. Cuidados especiais que eu vejo recomendados frequentemente por Louie e Tate:
Treine tríceps pesado para supino e leve para saúde e tendões. 6×6 em extensões sobre a cabeça e 4×25 no pulley, por exemplo.
O bíceps tem um papel na estabilização do seu ombro, por isso vale a pena ser treinado junto com o flexor mais forte do braço, o braquial, mas com muito cuidado para não sobretreinar o deltóide anterior ao mesmo tempo.
Treine ombros com o mínimo de carga o suficiente para conseguir um pump e pare por aí. Você não ganha nada destruindo o ombro, quanto 5kg a mais na elevação lateral ajudam seu supino?
Costas são complexas e exigem diversas moções e repetições, muita variedade. O volume de costas deve ser 2 ou 3 vezes maior que o de supino. Puxadas horizontais, verticais, movimentos de escápula livre, encolhimentos, puxadas do chão e elevações sobre a cabeça.
Abdômen, oblíquos e lombar não conta, é sua obrigação.
Se quadríceps aparece no treinamento, posterior de coxa deve aparecer dobrado.
Posterior de coxa é o novo bíceps, uma flexão nórdica é o mínimo. Treine pesado com muito esforço por um tempo e tire uma semana apenas para flexões de perna com elásticos como deload. Muita carga e pouca carga, muitas repetições e poucas repetições, faça ambos.
Glúteo exige atenção. São exercícios fáceis de roubar e colocar muita carga sem sequer usar o grupo muscular correto, por isso exercícios com tempo são muito bons, mesmo que exija criatividade com os equipamentos.
Pescoço deve aparecer em algum momento, pois, ao movimentar cargas pesadas, você deve garantir que o início e final da sua coluna vertebral estejam seguros.
Antebraço, manguito rotador, panturrilha (incluindo tibial anterior) te ajudarão a prevenir lesões e se manter no jogo.
Se você ainda está perdido, tenho mais alguns parâmetros e dicas de volume:
Dando continuidade a sequência de posts sobre os conceitos do método de treinamento concorrente, eu preciso de falar sobre aquela parte complicada que afasta muitas pessoas desse tipo de treinamento. É frequentemente a parte mais desvalorizada, aplicada de maneira incorreta e que leva muitas pessoas que seguem essa forma de treinamento ao fracasso. É visto como um dia de treinamento leve, fácil e inútil e, posso te garantir, não é nada disso. Vamos falar sobre o método do esforço dinâmico.
Sem equações, sem matemática e sem física, eu consigo te explicar qual o objetivo e porque fazemos isso com 3 fenômenos que todos nós já vivenciamos ao atirar pedras:
Quanto mais forte eu jogo uma pedra, mais rápido ela voa longe.
Se a pedra for leve, consigo jogar mais longe.
Se a pedra for leve de mais, não consigo velocidade o suficiente para arremessar longe e, se for pesada de mais, também não.
Simples, não é? A mesma lógica funciona com o treinamento dinâmico, já que os exercícios serão feitos de forma explosiva, como em um arremesso ou em um salto. Quanto mais força produzimos, mais rápido a carga vai, mas essa não é uma relação linear. Cargas leves de mais não nos permitem gerar tensão, que gera velocidade, o suficiente para chegar na maior velocidade possível e cargas pesadas de mais, nós desafiam a um ponto que o músculo precisa de trabalhar muito apenas para movê-las pelo espaço, não sobra nada para nos permitir controlar a velocidade.
Você já sabe o que precisa: você precisa de uma carga que não seja pesada de mais e, também, não seja leve de mais, assim, você consegue gerar o máximo de aceleração e, consequentemente, de força.
Números e recomendações
Mas, Gabriel, e todos aqueles números? Esse é o problema. Nós somos animais, seres biológicos, logo, não seguimos apenas leis da física. Existem perdas, existe fadiga, existem fatores psicológicos, logo, precisamos de ser mais espertos do que a carga. As leis que controlam como a carga funcionam são simples e claras, as nossas não.
A única forma de descobrir parâmetros para basear nosso treino é através do treino de outras pessoas, testes, estudos, análises, tentativas e erros. Foi através desse processo que os treinadores de força conseguiram encontrar alguns números e porcentagens que são recomendadas para nós. A quantidade de levantamentos relativa a carga veio da experimentação e análise de atletas de elite em levantamento de peso Olímpica na antiga União Soviética. Demonstrada na tão conhecida tabela de Prilepin:
Tabela de Prilepin, criada por A. S. Prilepin.
Através, também, da experimentação Louie Simmons encontrou maior utilidade ao usar o menor número de levantamentos recomendados, pois o LPO não apresenta fase excêntrica, já o powerlifting sim.
Elásticos e correntes
Esse é outro ponto que resistiu testes ao longo dos anos. Todos sempre souberam que, ao realizarmos exercícios na academia, ocorrem momentos de aceleração e desaceleração. Exercícios têm partes mais fáceis e partes mais difíceis. Você também sabe disso. Como corrigir? Colocar algo na barra ou usar algum peso que fique mais difícil na parte fácil e mais fácil na parte difícil. Simples. Dessa forma, você equilibra o exercício e o mantém desafiador durante toda a amplitude de movimento. Daí vem a utilização de correntes.
Correntes permitem manter o exercício difícil durante toda sua execução, mas não afetam o problema da aceleração, pois ainda é uma resistência baseada na ação da gravidade. Você precisa de ser mais rápido, mas não muito. Já, quando se utiliza elásticos, eles geram aceleração que empurra a barra com mais velocidade em direção ao chão, ela sofre ação da gravidade + da deformação da resistência elástica. Nossos músculos também são elásticos, da mesma forma nossos tendões, eles também geram aceleração, logo, a maneira como se interagem é muito próxima. Jogue uma bola de borracha no chão e compare com o movimento de quando a bola é derrubada. Daí vem a famosa frase:
“Desce rápido, sobe rápido”
Louie Simmons
O elástico empurra a carga para baixo, acelerando seu movimento, e gera um rápido alongamento muscular. Através do chamado reflexo de contração, seu corpo responde um rápido alongamento com uma rápida contração e parte da aceleração gerada pelo elástico é gerada pelo seu corpo de volta. Funciona como mágica!
Ao utilizar elásticos, seu corpo produz mais força e mais aceleração na fase concêntrica do exercício.
Conclusão
O objetivo do dia de esforço dinâmico é treinar na precisa região na qual você move uma carga que te permite exercer o máximo de aceleração possível naquele exercício. Dessa forma, você gera força máxima e aceleração máxima. Com o passar do tempo, você consegue aumentar o peso utilizado nessa região, ficando mais forte e mais rápido!
Protocolos
Nessa parte, você pode seguir parâmetros indicados pelos profissionais experientes da área ou pode experimentar.
Louie Simmons recomenda o treinamento entre 75 e 85% sendo 25% de tensão elástica para o agachamento:
Semana 1: 12 x 2 @ 50 + 25% do 1RM
Semana 2: 12 x 2 @ 55 + 25%
Semana 3: 10 x 2 @ 60 + 25%
Ao acabar o mini ciclo, muda-se a variação do exercício. Outras tensões elásticas e/ou correntes podem ser utilizadas desde que se respeite a velocidade de 0.8m/s.
Para o levantamento terra:
6, 8, 10 ou 12 x 1 @ 50 + 30%
Não é sempre treinado, pois tudo que se refere ao agachamento também treina exatamente os mesmos músculos que são necessários no terra, menos o grip. Também existem outros protocolos, mas eu os vejo sendo menos recomendados.
Para o supino:
9 x 3 @ 50 + 25%
A porcentagem não muda, pois pequenas variações de carga no supino mudam muito mais a velocidade do que ocorre no agachamento ou terra. Aumentar 5% de 120kg é muito diferente de aumentar 5% de 300kg. A carga é mantida e são utilizadas outras variações do exercício. Outras tensões elásticas e/ou correntes podem ser utilizadas desde que se respeite a velocidade de 0.8m/s.
0.8m/s é tida como referência de velocidade onde força quase máxima é utilizada caso a carga esteja dentro das porcentagens observadas.
Matt Wenning recomenda o treinamento entre 40 e 50% + 25% no agachamento. A velocidade almejada deve ser 1m/s.
No supino, 40% + 25%, observando a velocidade. Também não são utilizadas ondas semanais.
Dave Tate recomenda que seja separado um dia no qual, você adiciona a barra 25% da sua repetição máxima e faça 2 repetições no agachamento, 3 supino e 1 no terra, aumentando a carga em cada série observando a velocidade. Em algum momento você vai sentir que a barra move bem, mas, com mais esforço consciente consegue movê-la mais rápido. Anote essa carga. Continue aumentando até o ponto em que você perde o controle da velocidade da carga e toda repetição seja feita automaticamente o mais rápido possível para evitar a falha (visualmente a barra vai estar mais lenta que nas repetições anteriores, mas o atleta vai sentir que está subindo o mais rápido possível). Anote essa carga.
A carga inicial é a primeira porcentagem do seu ciclo que dura X semanas, sendo X o número de saltos de 5% que você consegue fazer entre a primeira carga anotada e a segunda.
Em uma série de posts, vou abordar com o máximo de detalhes possíveis os métodos utilizados pela periodização concorrente. Não confunda com termo “método conjugado” que é utilizado apenas de maneira coloquial. O “método conjugado”, tanto dito por aí, possui vários métodos de treinar força.
O método do Esforço Máximo é o mais fácil de ser aplicado, mas precisa de ser entendido: qual o seu papel?
O método do Esforço Máximo é “superior para o desenvolvimento tanto de coordenação intramuscular quanto da coordenação intermuscular” (Zatsiorsky), ele é “o melhor e mais efetivo método para ganhar força” (Simmons).
Logo, ele deve fazer parte do seu treino. Entretanto, sabemos que, ao repetir estímulos dia após dias, regredimos, então como isso será possível? Através da variação de exercícios. A utilização de diferentes exercícios até o máximo de carga possível naquele dia é, de fato, o método conjugado. O sistema de treinamento todo tomou emprestado esse termo que, na verdade, só dita sobre essa variação semanal.
Quanta carga? O máximo.
Quantas repetições? Uma.
Posso fazer menos carga e mais repetições? Sim, mas isso não é esforço máximo, apenas saiba disso.
Existem duas formas de se medir se aquela carga foi a mais pesada possível para você naquele dia: alcançar o ponto em que a carga sobe e desce (falha) ou observar quando a carga toma uma velocidade muito baixa.
Isso pode ser afirmado, pois, no momento em que a carga desce e vemos a falha, sabemos que o máximo foi feito. Mas, por que isso acontece? Se você não consegue gerar força o suficiente pelo tempo o suficiente, a carga vence você. Tempo é importante, pois cargas leves sobem rápido, mas cargas pesadas diminuem a nossa velocidade. Isto é, a partir do ponto de vista de alguém de fora, pois, para a pessoa de baixo da barra, pode ter certeza que aquilo está subindo no máximo de velocidade que aquela pessoa consegue. Então, assim, temos uma pista: eu gero uma força igual ao peso da barra por tempo o suficiente, ela sobe, se eu gero essa força, mas não consigo durar tempo o suficiente, ela sobe e desce. Pense nisso e você não precisará falhar no seu dia de esforço máximo, tenha atenção ou grave vídeos: se você fez uma carga que nunca fez na vida e ela subiu muito devagar, existe uma alta chance que aquela tenha sido o seu máximo. A relação força e velocidade não é linear, para detalhes veja: Ciência e prática do treinamento de força. Simplifiquei os termos para o objetivo desse post.
Isso é algo que eu quero que você aprenda ao ler esse post.
Estou falando o tempo todo de esforçar o máximo possível e altas cargas, mas a nossa lição aqui é apenas uma: o objetivo do dia de esforço máximo é (adivinhe?) o ESFORÇO máximo. Esse dia não se chama Dia do Novo PR. Logo, se você se esforçou, em velocidade baixa, carga pesada e fez algo que nunca tinha feito antes, o objetivo foi cumprido. Então, não precisa esquentar a cabeça em conseguir conquistar um recorde novo de supino reto pausado com barra toda semana, longe isso. Isso vai contra a lei natural da acomodação e, se você não aprendeu isso aqui, vai aprender na marra na academia.
Escolha de exercícios
Escolha uma variação que parece um pouco com seu exercício principal e faça o máximo que você consegue e BOLA PRA FRENTE. Recordes são ótimos, porque mostram que estamos ficando mais forte, mas a chance de você conseguir um recorde e o número total de peso na barra ser menor do que o número do seu supino é grande, também. Eu arriscaria dizer que isso é excelente, pois mostra que o exercício é difícil. E, digo mais, variações mais difíceis fazem o exercício principal fácil.
Quem te avisa, amigo é, então tome esses cuidados no seu dia de Esforço Máximo. Escolha exercícios:
mais difíceis
com maior amplitude de movimento
que demorem mais tempo para serem compridos
Desses três parâmetros tiramos lições: se a amplitude é a mesma, aumente a duração (com pausas) ou a dificuldade (com resistências alternadas). Se a amplitude é maior (com déficit), você não precisa, mas ao aumentar a dificuldade (com resistências alternadas) você também treina velocidade e faz o exercício principal ainda mais fácil. Se a amplitude é menor (como um pin press, block pull), aumente a dificuldade (com resistência alternada), o máximo possível: faça o exercício durar mais tempo mesmo a barra viajando menos tempo.
Se você conhece alguém que fracassou no método conjugado pergunte-a sobre o dia de esforço máximo, quais variações escolheu? Tenho certeza que essa pessoa não seguiu essas regras, pois se tivesse escolhido bem esses exercícios, poderia ter feito o resto todo errado e ainda ter tido progresso. É tão importante assim.
Recorde de todos os tempos ou recorde diário?
Essa questão vai aparecer sempre que você falhar um recorde, nos outros dias, você vai esquecer. O que tenho a dizer sobre isso é seguinte: o recorde, ou a tentativa de um, é uma das pistas que o seu corpo te da sobre seu treino. Se você ficou muito tempo sem fazer o exercício e conseguiu um recorde, o seu treino te preparou com: mais massa muscular, melhor forma ou melhor velocidade para aquele exercício. Se você não conseguiu o recorde, um, ou mais, desses elementos faltou. Olhe para as semanas e meses anteriores a essa tentativa e entenda por que você falhou. Não fique triste ou desanimado, se você descobre por que falhou, já sabe exatamente o que fazer para ficar mais forte.
Além disso, preciso comentar que o nosso estilo de vida não é sempre o melhor para o treinamento de força. Muitos de nós não vivem disso, então também faz parte dessa equação: alimentação, hidratação, descanso e estresse. Nunca subestime o poder desses elementos no seu corpo. Podemos acreditar que temos sempre o controle, mas, na verdade, somos o resultado de somas de reações químicas muito complexas.
Sobre planejamento
Não o faça. Parece piada, certo? Mas é verdade. Ou quase. A maneira mais efetiva de levar essa parte é pensar em qual padrão de movimento você vai fazer naquela semana, mas não no exercício. Isso você precisa decidir no mesmo dia. Algumas pessoas fazem apenas depois do aquecimento, já eu, penso nisso enquanto tomo meu café antes do treino. De qualquer forma funciona, por que? Porque se você sabe que tem que fazer o máximo possível daquele exercício que você odeia, vai passar a semana toda pensando nisso. É provável que não durma direito ou não preste atenção na alimentação como deveria. Já temos o dia a dia e a competição para nos preocupar, quanto menos melhor.
Exemplo:
Semana 1: variação agachamento
Semana 2: variação de levantamento
Semana 3: variação de good morning para 5 repetições máximas
Qual? Decido no mesmo dia.
Mude e combine os seguintes elementos para criar variações: tempo, pausa, ritmo, forma, pegada, estância, posição da barra, amplitude maior, amplitude menor, resistência elástica (elásticos, forma que é preso na barra, correntes, forma que são presas na barra), foco na concêntrica (pinos, deadstop), foco na excêntrica, uso de caixas, blocos, espumas, tênis específico, cinturão.
Além disso, você pode combinar, ou não, com uso de equipamento ou barras diferentes.
CHEGA DE ENROLAR, O QUE, DE FATO, VOU FAZER NA ACADEMIA? A maneira ótima de ser treinar é aplicando o método do esforço máximo, o método do esforço dinâmico, o método das repetições, a priorização de pontos fracos e a melhora do GPP. As informações aqui apresentadas são derivadas da leitura do livro Book of Methods de Louie Simmons, estudo dos podcasts Westside Barbell, palestras e aulas do mesmo grupo, leitura de artigos de Dave Tate no site EliteFTS, estudo de vídeos, palestras e podcasts, leitura de artigos de Matt Wenning, guias, estudo de vídeos, palestras e podcasts. O material não é de autoria minha e qualquer atividade física deve ser acompanhada de um profissional.
Esforço máximo
A melhor maneira de se desenvolver força máxima e realizando força máxima, esse é o método do esforço máximo.
Deve se escolher 1 exercício e colocar peso na barra até não conseguir mais. Para powerlifters, o mais comum é escolher uma variação do levantamento terra, agachamento e supino, mas é completamente possível escolher outros exercícios para outros esportes. Toda semana você deve usar uma variação diferente, esperando, no mínimo, 4 semanas para repetir o mesmo exercício. Perceba que o objetivo é o esforço, o trabalho, a tentativa e a luta, o objetivo não é o recorde, um novo recorde pessoal é uma consequência do treinamento bem feito. Se você não conseguiu um recorde, olhe para suas semanas passadas, não pense nesse treino, algo foi feito incorretamente. Aprenda, modifique, melhore e continue semana após semana. Dito isso, você deve quebrar recordes em 90% dos seus treinos, se isso não está acontecendo, o treino não está focando os seus pontos fracos, melhora de forma e GPP.
O seu arco [treino] está apontando a sua flecha [corpo] para o alvo [objetivo] errado.
Esforço dinâmico
Para ser possível o desenvolvimento da força ao longo prazo, precisamos de aumentar a nossa velocidade com a carga.
A velocidade força e explosão devem acompanhar o aumento da força máximam nos permitindo produzir força durante mais tempo ou acelerar o quão rápido chegamos na a tensão máxima. Isso é feito movendo cargas intermediárias da forma mais rápida possível.
Para powerlifters e atletas de outros esportes, segundo Louie Simmons da Westside Barbell, no agachamento deve-se usar 75, 80, 85% do agachamento máximo, sendo 25% dessa peso com tensão elástica, logo, 50, 55 e 60% + 25% em ondas de três semanas, na primeira e segunda 12×2 e na terceira 10×2. No terra e supino, 50% de peso na barra + 30% de tensão elástica, não há variação da carga semanalmente, mas com variações do exercício ou implemento (barra) utilizado.
No terra, 6, 8, 10 ou 12×1 ou 5×2, e, supino, 9×3, sendo 3 séries pegada larga, 3 séries média e 3 séries pegada curta. Esses números são todos obtidos empiricamente, podendo sofrer alterações conforme o objetivo, individualidade ou fonte de consulta.
O seu objetivo deve ser sempre mover a barra em, no mínimo, 0.8m/s, sinceramente, não importa muito o peso na barra, já que o que você está treinando é velocidade.
Método das repetições
Se você quer mover mais carga, precisa de mais músculos.
Não vou perder muito tempo aqui, porque você já sabe. Trabalhando músculos com exercícios específicos durante um tempo legal com aumento de carga gera hipertrofia. Quais exercícios, quanto tempo, quantas repetições? Eu não sei. Você deve descobrir isso sozinho. Mas, posso te ajudar em algumas coisas:
– O primeiro exercício após o esforço máximo deve ser um exercício suplementar. Pense em quais exercícios te ajudam a aumentar o seu principal e faça eles pesados, a carga importa, para ganhar FORÇA e ficar melhor naquele MOVIMENTO. Pense em especificidade. Para melhorar o supino tradicional pausado, um supino pegada curta pesado pode te ajudar. Agachamento e terra vão ter apenas 1, então escolha bem: talvez um good morning, um RDL, um stiff ou outro tipo de box squat.
– Para os seguintes acessórios pense em isolamentos e compostos que trabalhem os músculos que você quer, faça mais repetições e chegue próximo da falha. Aqui, você quer melhorar os músculos, a carga não importa.
Priorização de pontos fracos
O único jeito sustentável de melhorar é trabalhando aquilo que você está precisando.
Esse conceito é o mais fácil de explicar, mas o mais difícil de aprender e de praticar. Isso vai tirar seu sono, vai te irritar e vai te dar vontade de não treinar aquele dia. Essa é a parte difícil que ninguém quer fazer e, ao mesmo tempo, o motivo de todo mundo que treina estar machucado. Você não está aqui para treinar o seu ego, está aqui para ficar mais forte. Seu corpo não está nem fudendo para o que você gosta de fazer ou não.
Se seu glúteo está fraco, sua coluna vai estar desprotegida, você não vai conseguir usar os maiores músculos do seu corpo para agachar, posteriores de coxa, abdômen, etc, e vai usar aquilo que ele já sabe usar: seus flexores. A medida que seus flexores ficam mais fortes, seu agachamento sobe junto com sua dor no joelho, hiperlordose, dor das costas, dor no quadril e hérnia. Vale a pena?
Falando nisso, você deve treinar core todo dia que pisa na academia com a mesma seriedade e progressão que qualquer outro grupo muscular.
GPP
Seu condicionamento dita o quanto você consegue treinar e o quanto você consegue recuperar.
Condicionamento deve ser treinando na forma de General Physical Preparedness: o que isso quer dizer? Outras atividades precisam de fazer parte do treinamento como forma de melhorar a sua capacidade de recuperação, sugestões: esportes, caminhada, corrida, bicicleta, puxar sled (excelente), circuitos com peso ou peso do corpo, circuitos com barra, etc.. Variação é a chave.
Explico bem melhor nesse vídeo!
DIRETO AO PONTO
A maneira mais utilizada, mas não a única, é da seguinte forma:
4 dias na semana: dois dias membros superiores (MMSS), esforço máximo (ME) e esforço dinâmico (DE), dois dias membros inferiores (MMII), ME e DE.
Segunda: MMSS ME
variação do exercício principal de membros inferiores esforço máximo 1RM
1 ou 2 suplementares
1 ou 2 acessórios
abdominal e lombar
Quarta feira: MMII ME
variação do exercício principal de membros superiores esforço máximo 1RM
1 ou 2 suplementares
2 ou 3 acessórios
oblíquos
Sexta feira: MMSS DE
variação do exercício principal de membros inferiores esforço dinâmico (agachamento)
variação do exercício secundário de membros inferiores esforço dinâmico (levantamento, opcional)
1 suplementar
2 ou 3 acessórios
abdominal e lombar
Sábado: MMII DE
variação do exercício principal de membros superiores esforço dinâmico (supino)
1 ou 2 suplementares
2 ou 3 acessórios
oblíquos
Aquecimento deve ser feito sempre antes do treinamento: a gosto do indivíduo, mas você deve sempre fazer repetições com a barra no exercício principal e escalar o peso. Faça saltos maiores e menos repetições no dia de ME e saltos menores e mais repetições nos dias de DE.Eu faço, antes, o wenning warm ups. Mini treinos são recomendados se encaixarem na sua rotina e recuperação:
principais focos são a prevenção de lesões com exercício com tensão elástica (ex: extensão de tríceps com elástico 3×100)
fortalecimento de músculos posturais (ex: facepulls, abdução de perna, rotação de ombro)
aumento do volume do core (ex: abdominal, lombar e oblíquos).
Entretanto, também é possível encaixar isso durante o treino normal.